Antropologia, Estudos Culturais e
Educação: Desafios da Modernidade
SANTOS, Maria Celça Ferreira dos
A elaboração
deste trabalho objetiva apresentar as principais abordagens da autora Neusa
Gusmão, ao fazer questionamentos acerca do diálogo entre as áreas Antropologia,
Estudos Culturais e Educação que, em suas considerações, constitui-se em um dos
maiores desafios dos dias atuais. Do encontro dessas áreas, surge um campo
tensional, gerado pelo desentendimento ou pela distância entre teoria e prática.
E a realidade traz à tona que vivemos ainda uma educação que trabalha o
clássico, fazendo-nos concluir que não estamos preparados para o novo modelo
que contempla a diversidade. Ressalta-se a importância da Antropologia na
Educação, voltada para a tentativa de explorar as possibilidades de relações
entre essas áreas, gerando maior diálogo, no sentido de aproximar as culturas,
em contraponto à Antropologia da Educação, entendida como disciplina e
sistematização, vinculada a uma determinada época. A antropologia como ciência
não pode existir independente de outras áreas, nem ser discutida à margem do contexto histórico.
A ciência praticada deve ser aquela que busca abraçar o universo das sociedades
modernas, objetivando um olhar atento para o indivíduo, considerando a
multiplicidade de suas experiências, na pretensa busca pela homogeneização
necessária ao contexto social, unindo o passado ao que a realidade apresenta
atualmente. Percorrendo longos caminhos desde o período colonial, quando a
educação se reduzia ao ato de “civilizar” o indivíduo, deixando à parte o fator
cultura, a Antropologia tomou dimensões que a faz presente em todos os campos,
em especial na educação, onde se coloca com o anseio de ampliar seu
significado, defendendo a educação que ultrapassa os limites físicos da escola.
Passadas as correntes teóricas, que apresentaram suas formas de pensar as
diversidades, o discurso evoluiu para a retomada do culturalismo, onde a
cultura era vista como algo essencial para a compreensão do homem, dentro de
contextos distintos. Da relação Antropologia x Educação, no campo da cultura,
percebeu-se que a primeira se preocupa com a afirmação da diversidade
sociocultural, onde as relações face a face com outros sujeitos e outras
culturas é uma necessidade para a compreensão do outro, de sua vida e de suas
visões de mundo, o que amplia o conceito “cultura”. A Antropologia caminhou no
sentido de reconhecer as diversidades socioculturais. Percorreu uma trilha
construindo estratégias para penetrar no universo do outro, buscando
compreender os fatos da vida humana. A segunda, a Educação, conduziu-se rumo à
afirmação permanente da homogeneidade, tendo que abraçar o compromisso de
responder às diversidades sociais humanas impostas como realidade do século
XXI, uma vez que em sua prática, busca a homogeneização, num processo de ensino
baseado em modelos pedagógicos e culturais diversos, reconhecendo as diferenças
e estabelecendo meios para lidar com elas. Articular igualdade e diferença é o
grande desafio da escola, e isso põe em jogo várias questões, como a realidade
da escola, o cotidiano escolar e a formação de professores. Na visão
antropológica há a possibilidade de se tratar essa temática, que deve envolver
análises, diálogos e discussão constante,
com o apelo de se levar o tema para além da sala de aula.
Palavras-chave:
Antropologia. Diversidade Cultural. Educação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário