Antropologia,
Educação e Diversidade
Silva, Daiany Nogueira de
Já
diziam nossos avós: “Se até os dedos de nossa mão são todos diferentes, imagine
as pessoas”. De fato, cada individuo possui um jeito único de ser, com suas
particularidades, vivências, experiências e cultura. Gusmão, em sua obra,
mostra-nos subjetivamente que, na dinâmica das relações sociais e no “fluxo das
trocas”, o ser humano leva consigo um pouco de cada individuo com o qual se
relaciona e, da mesma forma, deixa com estes um pouco de si. Essa diversidade e
essa mistura de “vidas” ocorrem no campo social e, obviamente, também ocorrem
no campo pedagógico e escolar, de maneira a se constituir objeto epistemológico
de várias ciências humanas, entre elas, a antropologia, a sociologia e os
estudos culturais. A partir de análises bibliográficas e, seguindo o que
apontam os estudos antropológicos da educação no decorrer dos tempos,
percebe-se que, a escola sempre teve um caráter excludente e, até então,
percebia-se que as identidades culturais não eram vistas, não possuíam papel de
protagonista no processo ensino-aprendizagem ou eram até mesmo negadas. Com
esses estudos antropológicos no campo pedagógico e sua interação com as
ciências sociais, foi possível perceber que as relações multiculturais
observadas na escola de hoje são reflexos de heranças do passado. Convém
observar também que, segundo a autora, os aspectos multiculturais e sociais até
então, foram influenciados pelo pensamento positivista incutido à sociedade, de
maneira à ilegitimar a diversidade como algo bom ou bem-vindo. Doravante, o
conceito de cultura após o século XX aponta para a pluralidade, onde os debates
atuais do novo século, a “globalização informacional” e os estudos mais
aprofundados nos mostram que estamos vivendo a “Era dos direitos”, e que as
culturas até então suprimidas e renegadas tendem a procurar seu espaço no campo
tensional educativo. Uma análise mais insistente e aprofundada do texto nos
leva a refletir sobre como se dava a relação escola/individuo antes do século
XIX e porque essas relações não produzem mais os mesmos efeitos no século
XXI. O fato é que, a contextualização
desses problemas e a consequente busca por explicações nos aproximam da
realidade dos sujeitos envolvidos, e nos instigam, enquanto futuros professores
a nos colocar no lugar do outro (empatia) para melhor entendimento de seus
problemas. Nos possibilita compreender como a sociedade enxerga os indivíduos
culturalmente diferentes, colocando à prova nosso saber pedagógico e a prática docente.
Logo, com essa nova realidade educacional, cujos pressupostos se fundamentam na
diversidade, entende-se que há necessidade de se discutir os novos desafios
pedagógicos no processo ensino aprendizagem, buscando atender as demandas
multiculturais, tendo a antropologia “na” educação, o baluarte que impulsiona
esses estudos a diminuir a distância entre teoria e prática.
Palavras-chave: Antropologia,
Diversidade, Educação.
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