domingo, 24 de fevereiro de 2013

Como nossos pais...


                                                                                                                                      Silva, André Luís

Tudo o que foi discutido em sala de aula com respeito a Durkheim, lembrei-me de uma música do cearense Belchior: Como nossos pais, brilhantemente interpretada pela “pimentinha” como era chamada a cantora Elis Regina. Aliás, a intérprete. Que me perdoe Marisa Monte, Ana Carolina e tantas outras, mas a interpretação que Elis deu a essa canção é imbatível, incomparável, in... in... in..., enfim...
Pode ser que no tempo em que o sociólogo francês viveu, vivenciou e idealizou suas ideias poderíamos dizer:
Eles venceram
e o sinal está fechado
pra nós que somos jovens...
[...]
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...
Que ninguém vista a carapuça da mesmice, do desânimo, da falta de criatividade que recai sobre muitos professores, cansados da luta, de nadar contra a maré de uma educação estruturada em sistemas perversos, da falta de consciência de nossos brilhantes políticos. O professor, esse herói sem reconhecimento, menos que um artista mambembe, soldado anônimo, combatente do front, preterido dos “generais” de gabinete, dos burocratas com PhD em universidades do exterior. Mas a verdade é essa: há muito tempo os mesmos métodos são utilizados.  Muita transformação aconteceu. Educação libertadora, construtivismo, etc., mas muita coisa continua a mesma.
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...

Antropologia, trajetória no campo tensional


                                                                                                                   
                                                                                                                  Leite, Bartolomeu de Araújo

         Segundo Gusmão, passamos por um momento de certezas e incertezas provocado pelas transformações que vem ocorrendo no mundo pelo processo da globalização. Nesse processo há tentativa de homogeneização de culturas. Enquanto isso em outra vertente, muitos lutam pela preservação de suas identidades e da diversidade. Esses problemas não são novos, o que se apresenta como novos são os questionamentos das formas constituídas de explicações dessas questões.
           Na busca de respostas para essa crise, a qual se identifica como esquizofrênica, a Antropologia como campo do conhecimento que tem uma longa trajetória de diálogo com o passado e com o presente pode vir a dá uma grande contribuição para solucionar os problemas atuais. Segundo a mesma, a tradição antropológica tem sido alvo de controvérsias por parecer não dar conta de explicar a intensa transformação que ocorre no momento atual. E é nesse campo de tensão  que defende-se que a trajetória da antropologia tem sido de avaliar as diferenças sociais, étnicas, dentre outras com a finalidade de intervir na realidade social a não negar as diferenças. Ora   ela não seria suficiente para dar conta das diferenças e portanto estaria superada em seus propósitos, isso se dá em decorrência do questionamento das ciências humanas de modo geral e a antropologia em particular se dá no contexto  emergencial dos estudos culturais, cuja definição se dá no interior das correntes ditas pós-modernas.
           Neste contexto de discussão, a análise das relações entre Antropologia, Educação e Estudos culturais emerge como um desafio teórico da modernidade e como uma necessidade diante de princípios e práticas entre campos científicos e processos educativos na sociedade moderna, sendo que o que  está em jogo é a busca do diálogo interdisciplinar  e transdisciplinar que recupera o pensamento crítico para compreender o domínio de propriedades da vida social e fazer um resgate da noção de cultura numa perspectiva crítica engajada e que a entenda como uma questão política.
           A autora coloca que não podemos perder a dimensão política da Antropologia, pois nasceu no contexto da formação dos Estados Nacionais e, portanto inserida no contexto político. Ainda evoca que temos de fugir de certa crítica à Antropologia de cunho moralizante e política do passado dessa disciplina, para não continuarmos repetindo fórmulas antigas e ver a sua trajetória através do  viés sociológico, com abertura para novos modelos de interpretação do momento atual em que  uma das marcas vistas pela Antropologia, ou vista como toda a Antropologia, era o seu caráter descritivo e classificatório no estudo dos povos, como objetos de colonização entre os séculos XIX e XX.
           Surgiu o que hoje se chama de antropologia clássica. Era uma ciência que tinha como princípios centrais a ideia de exterioridade e alteridade, esta tinha como pressuposto a alienidade. Assim a antropologia e os antropólogos estavam inseridos num mundo marcadamente como civilizado, científico e técnico a qual essa tríade era elementos centrais que demarcavam a condição humana e a própria humanidade.
           A Antropologia pregava como ciência no dizer dela a proteção, preservação, transformação e repressão como objeto de políticas dirigidas ao mundo do outro, em que a relação entre teoria e prática tenha sentido de elaboração e inserção da antropologia na concretização das políticas coloniais a qual ela denomina de ciência da prática ou ciência de serviço. E essa relação entre ciência e prática tem havido muitas discussões no mundo científico e social, essa prática científica tem sido objeto de considerações morais e políticas como toda ciência praticada naquele período no que se chama de antropologia “da” educação.                                                                                                                                                                                                        
           Segundo a autora no Século XVIII ao início do Século XX, a Antropologia e Pedagogia trilharam caminhos paralelos com relação  a Educação e tiveram como alinhamento teórico à ciência evolucionista do pensamento moderno, tinham como padrão modelar o diferente ao padrão de sociedade ocidental, ou seja branco e cristão, era o que os colonizadores denominavam de fazer evoluir e civilizar os chamados outros.
           Nessa perspectiva a cultura do outro não era levada em conta  e portanto  não existia espaço para o diálogo com a alteridade e consequentemente para a diversidade cultural. Este estado de coisa mudou com o surgimento do culturalismo, que denunciou o pensamento evolucionista como etnocêntrico e como consequência a antropologia e a pedagogia praticada na época.
           Outra corrente que vai fazer parceria com o culturalismo, é o funcionalismo de origem inglesa que compreendia a sociedade como função ou sistema, ou seja, na sociedade seus elementos estão interligados e formam um todo. Segundo essa corrente, as necessidades de um grupo ou de uma sociedade, bem como as necessidades de respostas, decorrem de cada cultura.
           Sendo assim temos que pensar a cultura não como um campo neutro, mas como um local de tensões em que a relação entre eu e o outro estão presentes. A cultura de um grupo não é independente de outro grupo com que ele se defronta. O contato entre grupos gera um campo de tensão às vezes de violência e de conflito, o que expressa relação de poder inserida no campo político que merece ser considerado.
           No dizer da autora fala-se no fim da História, crise de paradigmas, pós-modernidade, mas qual seria o papel da Antropologia na atualidade? Negar o seu passado e aderir o discurso da pós-modernidade? A autora diz que é dentro do paradigma da modernidade que está a solução, mas numa visão crítica que a Antropologia contribuirá para o avanço com relação à Educação e sua prática, a Pedagogia.

Contextualizando a Antropologia


  
                                                                                                                           Silva, Tamara Vieira da
 Introdução 

      A partir das mudanças do mundo globalizado Neusa Gusmão inicia o seu texto nos conduzindo a uma reflexão acerca da relação contraditória entre a mundialização da cultura e afirmação de suas particularidades. No entanto, a autora demonstra que essa relação entre diversidade e cultura não é uma discussão específica às sociedades modernas, embora se intensifiquem nessa época. A partir de então novos questionamentos são feitos às formas de constituição do saber, mas isso aconteceu também devido à insuficiência explicativa de algumas teorias tradicionais, no debate em questão da antropologia. Discute-se também qual a finalidade da antropologia enquanto ciência diante dessas diferenças sociais e por fim  a autora nos propõe um resgate do conceito de cultura como uma questão política. Nesse resgate a autora lembra através de Paula Montero (2003) dois conceitos básicos para o estudo da antropologia durante todo o seu percurso científico, o conceito de cultura e de homem. Há ainda como algo natural à antropologia o trabalho de descrever e classificar os grupos sociais diferenciados de alguma forma, assim a marca da antropologia clássica tornou-se a descrição e classificação que se fazia dos povos primitivos que faziam parte do processo civilizatório entre os séculos XIX e XX. Sendo assim havia dois princípios centrais que constituíam o campo antropológico dessa época, a exterioridade e a alteridade, os quais eram vistos como características inferiores aos povos já colonizados. Dentro dessa esfera de discussões mais ampla, insere-se um domínio específico de estudos a antropologia da educação. Já que a antropologia trata dessas classificações no que se refere à educação ela irá propor intervenções nos sistemas educacionais no intuito de “normatizá-los” em busca de uma função social para estes a partir de um  modelo “desejável” de escolas. No entanto, tal padronização se dava enquanto busca não só nos parâmetros educacionais, mas em todas as relações que envolviam o indivíduo e a sociedade, de uma maneira compreensiva do sujeito como um ser social detentor de particularidades. Surge então, no final dos anos 90, um movimento denominado “crise dos paradigmas” que se estende por todo o século XX, trazendo a tona o chamado “estudos culturais”. Essa corrente tem relação com um fato incontestável das sociedades modernas a multiculturalidade e o modo a se pensar e atuar a partir deste fato estava nas “mãos” do multiculturalismo, o campo que estudava essa característica social a partir da teoria e prática. A partir de então com a revisão do conceito de cultura ela não seria mais vista desvinculada das relações políticas e de poder, visando por em evidência a real proposta antropológica de superação teórica e prática.

A  Ciência que praticamos : A modernidade em debate 
      A cultura enquanto conceito revisado insiste na ideia de que sua definição e seu estudo não devem ser pautados sem levar em consideração suas relações políticas, já que a cultura se inscreve em relações humanas que têm como essência a questão da diferença, o envolvimento do eu e do outro. Dessa forma trata-se de relações onde há desigualdades, expressando muitas vezes relações de poder imersas em um campo político específico que deve ser levado em consideração. Objetivando estudar essas relações de poder está sendo desafiada a estabelecer “pontes” entre o universal e o particular, partir daquele para cegar neste, de um modo que sejam compreensivas os processos em seus contextos históricos. 
O caminhar entre dois séculos XIX ao XX
     Durante o período entre esses dois séculos XIX e o XX o parâmetro teórico que “norteava” a antropologia e a pedagogia era o evolucionismo. A pedagogia interferia na educação através de determinações práticas baseada no modelo de ensino ocidental, branco e cristão. A educação resumia-se ao processo de ensino. Dentro da perspectiva evolucionista a cultura só era tida como relevante a partir do ponto de vista classificatório diante das etapas de desenvolvimento e progresso humano. No entanto, F. Boas irá questionar o pai do evolucionismo L. Morgan contrapondo-o e afirmando que não há uma só cultura, mas sim uma  diversidades delas e que cada costume ou hábito, para ser compreendida, deve ser relacionada com o contexto cultural em que está inserida. Essas críticas feitas ao evolucionismo trouxeram a tona o conceito de alteridade – “o outro está no meu mundo e existe em relação a ele” – que explicou a condição humana de ser pensada no interior de sua cultura. “Cultura como realidade múltipla, plural e diversa.” Os estudos culturais terá vínculo entre os anos 20 e 30 com a concepção funcionalista dos sistemas sociais, o que quer dizer que cada “parte” social exerce sua função fazendo parte de um todo social interligado por suas funções. A partir dessa concepção a cultura passa a ser vista como um todo integrado por partes que não podem ser apreendidas separadamente, e que tem como função suprir as necessidades individuais a partir de instituições sociais, dentre elas a escola. Ainda assim, as perspectivas culturalistas e funcionalistas não conseguiam abranger as questões políticas que envolvem as relações de poder, para que essas relações fossem, de fato, percebidas deveria haver um “encontro face a face” com o outro. Ou seja, adentrar o mundo do outro permitia ao fazer antropológico um contato direto com a real situação do objeto em estudo, de uma maneira que o estranhamento de ambos – antropólogo e objeto – se tornaria a iniciativa fundamental da investigação. Tendo por base essa relação duas outras correntes baseiam esses estudos o estruturalismo e o marxismo. Essas duas novas correntes possibilitaram uma reflexão mais crítica e compreensiva da realidade social, superando a análise culturalista, não só como proposta acadêmica, mas também como movimento político.
 Antropologia, Estudos Culturais e Educação

     Durante o percurso do seu desenvolvimento científico a antropologia “caminhou” à afirmação da diversidade humana e ao relativismo. Já a educação centrou-se na busca por universais humanos, valores e ideologias. No entanto, nos anos de 1950/1960 houve um movimento de ruptura que desencadeou numa passagem das Teorias do equilíbrio para as Teorias do conflito. A reflexão então passa a ser pautada pela relativização e comparação das realidades sociais, a cultura é tomada por um significado para além das simbologias, alcançando sua estrutura de mediação num contexto relacional. A antropologia passa então a considerar o indivíduo como sujeito social, porém com a subjetividade construída por elementos significativos. Dentro de esse contexto a educação passar a buscar maneiras de agregar essas diferenças culturais atribuindo à pedagogia que métodos utilizar para alcançar determinado fim.

Da Antropologia e dos Estudos culturais: a questão da Educação e da Escola
            A escola que vinha ao longo de sua história buscando formar “cidadãos”, homogeneizar sociedades, depara-se agora com o desafio de acolher as diversidades culturais e interagir com elas de forma pacífica, relacionando a multiculturalidade com a formação dos professores, preocupação essa que iniciou no final do século XX. Como articular valores particulares e gerais? Como partir de um extremo para o outro? O multiculturalismo então irá atentar para a necessidade de aceitação e respeito das diferenças no interior de um contexto político comum, garantindo assim, já que estamos falando de democracias, a liberdade de expressão particular. No entanto, para que se efetive algo além da prática reflexiva é preciso que avancemos a prática do reconhecer para o conhecer o outro.Percebê-lo a partir de um olhar compreensivo de sua cultura enquanto dinâmica, explicativa, permitindo que esse universo que me é estranho exista e faça parte de uma cultura majoritária.





Durkheim e o óleo de rícino




                                                                                                                              Silva, André Luis da
                                                                  Estudante do III semestre do Curso de Letras/Espanhol
Quando era criança, lembro-me muito bem e jamais me esquecerei, que minha mãe, por indicação de alguém, deu-me uma dose de óleo de rícino. Primeira e única dose em toda minha vida. Foi só bater no estômago e voltar.
O famigerado óleo de rícino foi bastante usado (e creio que ainda seja) como laxante e tratamento contra constipação, também como vermífugo. A aplicação mais conhecida é como antiadstringente e acelera o esvaziamento do sistema intestinal, e pode ser causar  náuseas, vômitos, cólica e  outras complicações agudas.
Ora, mas o que tem isso a ver com Durkheim? Seria o sociólogo francês como óleo de rícino? Intragável, mas necessário? Mais ou menos isso. Não que o um dos considerado “pai da sociologia” seja intragável. Nada disso. É preciso reconhecer que muitas das ideias de Durkheim foram elaboradas à luz do Positivismo. É lógico que em pleno século XXI, com toda visão que temos do passado e perspectiva do futuro, fica mais fácil analisar e até julgar suas ideias.
A concepção funcionalista de Durkheim é um pouco como o óleo de rícino. Vale lembrar que algum tempo atrás não havia tantas opções de medicamentos como há hoje e se utilizava muito essa medicina alternativa. Com o passar do tempo, é evidente, as coisas se transformam, o mundo se transforma, as ideias mudam.
Nem tudo do pensamento durkhaiminiano é ultrapassado ou obsoleto. Fica claro que seja qual for o método tradicional ou inovador usado em educação,  a manutenção da ordem é importante. A anomia é o mal de toda sociedade e revela todos seus problemas estruturais.
Graças à influência de Durkheim a obrigatoriedade escolar para crianças de 6 a 13 anos e a proibição do ensino religioso nas escolas públicas foram pilares educacionais importantes para a França e copiadas em vários países. A educação básica a cargo do estado popularizou a educação, muitas vezes inacessível à população pobre. Quanto ao ensino laico, nada pior do que um estado fundamen- talista, xiita religioso, que não admite o convívio com outras religiões.
Hoje com o avanço da medicina e de outras áreas, já não faz mais sentido receitar óleo de rícino, até mesmo porque a geração atual jamais aceitaria tomá-lo de bom grado.

Antropologia, Estudos Culturais e Educação


                                                                          LIMA, Francisco Roger Oliveira de Lima
O presente trabalho possui como objetivo traçar os diversos caminhos realizados pela Antropologia bem como sua relação com os estudos culturais enfocando no conceito de cultura. Partiu-se das noções de Antropologia Clássica, considerando a ideia de Antropologia da Educação e Antropologia na Educação. A primeira relacionada ao contexto histórico e a segunda as relações entre as duas. Observemos as noções de multiculturalidade e multiculturalismo, em que  o primeiro se  relaciona a todas as possibilidades de diversidade humana e o segundo as formas de intervenção em um contexto multicultural.Considera-se que as relações entre antropologia, estudos culturais e educação resultam num campo tensional que diz respeito a duas dimensões correlacionadas: os paradigmas científicos da modernidade e da chamada pós-modernidade e os paradigmas pedagógicos que norteiam a educação. Levam assim a três grandes processos: a) busca pela homogeneização, b) existência da contradição, c) a ameaça constante do conflito. A cultura é pensada como emergente da constituição das chamadas humanidades, ainda sob a égide do positivismo e que originou as diferentes ciências humanas, entre elas, a antropologia como ciência do homem.  A antropologia é vista como uma construção que se inscreve na história das relações dos homens entre si. Ainda hoje o saber científico(positivista) e a necessidade de sua superação marcam os estudos antropológicos. A diversidade sociocultural dos povos coloniais permitiu o aprofundamento das críticas ao evolucionismo, denunciou seu etnocentrismo, fazendo com que a alienidade (o outro de meu mundo como não humano) do momento anterior fosse superada pela descoberta inicial da alteridade (o outro está no meu mundo e existe em relação a ele).O culturalismo aliado ao funcionalismo buscará realizar um estudo mais profundo baseado na compreensão das práticas humanas, ou seja, suas relações. O estruturalismo e o marxismo permitirão que seja feita uma reflexão mais crítica e compreensiva da realidade social. Principalmente com o último a ciência terá um papel mais participativo ampliando o conceito de cultura diante de uma sociedade de classes. As novas concepções de ciência diziam respeito a um espaço de fronteira, discutido hoje, em termos da compreensão desse espaço como de interação, centrado no contato e na comunicação entre sujeitos. O campo educacional é abrangente e vive uma concepção da realidade social ordenada pelo campo político e pelas relações de poder. Na ação educativa ou educacional estabelece modos de como intervir sobre uma dada situação, com o intuito de dar solução ao que é tido como “problema”. O ser social estabelece uma relação de passividade em que interioriza sentimentos, hábitos e valores inerentes à ordem social. O conceito de cultura e o campo que o origina, a antropologia é uma discussão que ora avança, ora se retrai. O fato exige em apontar para a amplitude do conceito, para a sua dimensão política e para seu alcance explicativo, para além da questão simbólica e, portanto, numa visão da ciência antropológica moderna e crítica. É preciso que se tenha a visão  do contexto histórico e sua variabilidade no tempo e no espaço para que se possa definir autonomia e, portanto um conhecimento mais engajado.
Palavras Chave:Antropologia;Cultura;Educação.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                          

Antropologia, Educação e   Diversidade
                                                                                                                     
                                                                                                                          Silva, Daiany Nogueira de

Já diziam nossos avós: “Se até os dedos de nossa mão são todos diferentes, imagine as pessoas”. De fato, cada individuo possui um jeito único de ser, com suas particularidades, vivências, experiências e cultura. Gusmão, em sua obra, mostra-nos subjetivamente que, na dinâmica das relações sociais e no “fluxo das trocas”, o ser humano leva consigo um pouco de cada individuo com o qual se relaciona e, da mesma forma, deixa com estes um pouco de si. Essa diversidade e essa mistura de “vidas” ocorrem no campo social e, obviamente, também ocorrem no campo pedagógico e escolar, de maneira a se constituir objeto epistemológico de várias ciências humanas, entre elas, a antropologia, a sociologia e os estudos culturais. A partir de análises bibliográficas e, seguindo o que apontam os estudos antropológicos da educação no decorrer dos tempos, percebe-se que, a escola sempre teve um caráter excludente e, até então, percebia-se que as identidades culturais não eram vistas, não possuíam papel de protagonista no processo ensino-aprendizagem ou eram até mesmo negadas. Com esses estudos antropológicos no campo pedagógico e sua interação com as ciências sociais, foi possível perceber que as relações multiculturais observadas na escola de hoje são reflexos de heranças do passado. Convém observar também que, segundo a autora, os aspectos multiculturais e sociais até então, foram influenciados pelo pensamento positivista incutido à sociedade, de maneira à ilegitimar a diversidade como algo bom ou bem-vindo. Doravante, o conceito de cultura após o século XX aponta para a pluralidade, onde os debates atuais do novo século, a “globalização informacional” e os estudos mais aprofundados nos mostram que estamos vivendo a “Era dos direitos”, e que as culturas até então suprimidas e renegadas tendem a procurar seu espaço no campo tensional educativo. Uma análise mais insistente e aprofundada do texto nos leva a refletir sobre como se dava a relação escola/individuo antes do século XIX e porque essas relações não produzem mais os mesmos efeitos no século XXI.  O fato é que, a contextualização desses problemas e a consequente busca por explicações nos aproximam da realidade dos sujeitos envolvidos, e nos instigam, enquanto futuros professores a nos colocar no lugar do outro (empatia) para melhor entendimento de seus problemas. Nos possibilita compreender como a sociedade enxerga os indivíduos culturalmente diferentes, colocando à prova nosso saber pedagógico e a prática   docente. Logo, com essa nova realidade educacional, cujos pressupostos se fundamentam na diversidade, entende-se que há necessidade de se discutir os novos desafios pedagógicos no processo ensino aprendizagem, buscando atender as demandas multiculturais, tendo a antropologia “na” educação, o baluarte que impulsiona esses estudos a diminuir a distância entre teoria e prática.
Palavras-chave: Antropologia, Diversidade, Educação.