terça-feira, 5 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Como nossos pais...
Silva, André Luís
Tudo o que foi discutido em sala de aula com
respeito a Durkheim, lembrei-me de uma música do cearense Belchior: Como nossos pais, brilhantemente
interpretada pela “pimentinha” como era chamada a cantora Elis Regina. Aliás, a
intérprete. Que me perdoe Marisa Monte, Ana Carolina e tantas outras, mas a
interpretação que Elis deu a essa canção é imbatível, incomparável, in... in...
in..., enfim...
Pode ser que no tempo em que o sociólogo francês viveu, vivenciou e
idealizou suas ideias poderíamos dizer:
Eles venceram
e o sinal está fechado
pra nós que somos jovens...
[...]
Você me pergunta
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...
Pela minha paixão
Digo que estou encantado
Como uma nova invenção
Vou ficar nesta cidade
Não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento
O cheiro da nova estação
E eu sinto tudo
Na ferida viva
Do meu coração...
Que ninguém vista a carapuça da mesmice, do desânimo, da falta de
criatividade que recai sobre muitos professores, cansados da luta, de nadar
contra a maré de uma educação estruturada em sistemas perversos, da falta de
consciência de nossos brilhantes políticos. O professor, esse herói sem
reconhecimento, menos que um artista mambembe, soldado anônimo, combatente do front, preterido dos “generais” de
gabinete, dos burocratas com PhD em universidades do exterior. Mas a verdade é
essa: há muito tempo os mesmos métodos são utilizados. Muita transformação aconteceu. Educação
libertadora, construtivismo, etc., mas muita coisa continua a mesma.
Minha dor é perceber
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
Que apesar de termos
Feito tudo, tudo, tudo
Tudo o que fizemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Ainda somos
Os mesmos e vivemos
Como os nossos pais...
Antropologia, trajetória no campo tensional
Leite, Bartolomeu de Araújo
Segundo Gusmão, passamos por um
momento de certezas e incertezas provocado pelas transformações que vem
ocorrendo no mundo pelo processo da globalização. Nesse processo há tentativa
de homogeneização de culturas. Enquanto isso em outra vertente, muitos lutam
pela preservação de suas identidades e da diversidade. Esses problemas não são
novos, o que se apresenta como novos são os questionamentos das formas constituídas
de explicações dessas questões.
Na busca de respostas para essa crise, a qual se
identifica como esquizofrênica, a Antropologia como campo do conhecimento que
tem uma longa trajetória de diálogo com o passado e com o presente pode vir a
dá uma grande contribuição para solucionar os problemas atuais. Segundo a mesma,
a tradição antropológica tem sido alvo de controvérsias por parecer não dar
conta de explicar a intensa transformação que ocorre no momento atual. E é
nesse campo de tensão que defende-se que
a trajetória da antropologia tem sido de avaliar as diferenças sociais, étnicas,
dentre outras com a finalidade de intervir na realidade social a não negar as
diferenças. Ora ela não seria suficiente para dar conta das
diferenças e portanto estaria superada em seus propósitos, isso se dá em
decorrência do questionamento das ciências humanas de modo geral e a
antropologia em particular se dá no contexto
emergencial dos estudos culturais, cuja definição se dá no interior das
correntes ditas pós-modernas.
Neste contexto de discussão, a análise
das relações entre Antropologia, Educação e Estudos culturais emerge como um
desafio teórico da modernidade e como uma necessidade diante de princípios e
práticas entre campos científicos e processos educativos na sociedade moderna, sendo
que o que está em jogo é a busca do
diálogo interdisciplinar e
transdisciplinar que recupera o pensamento crítico para compreender o domínio
de propriedades da vida social e fazer um resgate da noção de cultura numa
perspectiva crítica engajada e que a entenda como uma questão política.
A autora coloca que não podemos perder
a dimensão política da Antropologia, pois nasceu no contexto da formação dos Estados
Nacionais e, portanto inserida no contexto político. Ainda evoca que temos de
fugir de certa crítica à Antropologia de cunho moralizante e política do
passado dessa disciplina, para não continuarmos repetindo fórmulas antigas e
ver a sua trajetória através do viés
sociológico, com abertura para novos modelos de interpretação do momento atual em
que uma das marcas vistas pela
Antropologia, ou vista como toda a Antropologia, era o seu caráter descritivo e
classificatório no estudo dos povos, como objetos de colonização entre os
séculos XIX e XX.
Surgiu o que hoje se chama de
antropologia clássica. Era uma ciência que tinha como princípios centrais a
ideia de exterioridade e alteridade, esta tinha como pressuposto a alienidade.
Assim a antropologia e os antropólogos estavam inseridos num mundo marcadamente
como civilizado, científico e técnico a qual essa tríade era elementos centrais
que demarcavam a condição humana e a própria humanidade.
A Antropologia pregava como ciência no
dizer dela a proteção, preservação, transformação e repressão como objeto de políticas
dirigidas ao mundo do outro, em que a relação entre teoria e prática tenha sentido
de elaboração e inserção da antropologia na concretização das políticas
coloniais a qual ela denomina de ciência da prática ou ciência de serviço. E
essa relação entre ciência e prática tem havido muitas discussões no mundo
científico e social, essa prática científica tem sido objeto de considerações
morais e políticas como toda ciência praticada naquele período no que se chama
de antropologia “da” educação.
Segundo a autora no Século XVIII ao
início do Século XX, a Antropologia e Pedagogia trilharam caminhos paralelos
com relação a Educação e tiveram como
alinhamento teórico à ciência evolucionista do pensamento moderno, tinham como
padrão modelar o diferente ao padrão de sociedade ocidental, ou seja branco e cristão,
era o que os colonizadores denominavam de fazer evoluir e civilizar os chamados
outros.
Nessa perspectiva a cultura do outro
não era levada em conta e portanto não existia espaço para o diálogo com a
alteridade e consequentemente para a diversidade cultural. Este estado de coisa
mudou com o surgimento do culturalismo, que denunciou o pensamento
evolucionista como etnocêntrico e como consequência a antropologia e a pedagogia
praticada na época.
Outra corrente que vai fazer
parceria com o culturalismo, é o funcionalismo de origem inglesa que
compreendia a sociedade como função ou sistema, ou seja, na sociedade seus
elementos estão interligados e formam um todo. Segundo essa corrente, as
necessidades de um grupo ou de uma sociedade, bem como as necessidades de
respostas, decorrem de cada cultura.
Sendo assim temos que pensar a
cultura não como um campo neutro, mas como um local de tensões em que a relação
entre eu e o outro estão presentes. A cultura de um grupo não é independente de
outro grupo com que ele se defronta. O contato entre grupos gera um campo de
tensão às vezes de violência e de conflito, o que expressa relação de poder
inserida no campo político que merece ser considerado.
No dizer da autora fala-se no fim da
História, crise de paradigmas, pós-modernidade, mas qual seria o papel da
Antropologia na atualidade? Negar o seu passado e aderir o discurso da
pós-modernidade? A autora diz que é dentro do paradigma da modernidade que está
a solução, mas numa visão crítica que a Antropologia contribuirá para o avanço
com relação à Educação e sua prática, a Pedagogia.
Contextualizando a Antropologia
Silva, Tamara Vieira da
Introdução
A partir
das mudanças do mundo globalizado Neusa Gusmão inicia o seu texto nos
conduzindo a uma reflexão acerca da relação contraditória entre a mundialização
da cultura e afirmação de suas particularidades. No entanto, a autora demonstra
que essa relação entre diversidade e cultura não é uma discussão específica às
sociedades modernas, embora se intensifiquem nessa época. A partir de então
novos questionamentos são feitos às formas de constituição do saber, mas isso
aconteceu também devido à insuficiência explicativa de algumas teorias
tradicionais, no debate em questão da antropologia. Discute-se também qual a
finalidade da antropologia enquanto ciência diante dessas diferenças sociais e
por fim a autora nos propõe um resgate
do conceito de cultura como uma questão política. Nesse resgate a autora lembra
através de Paula Montero (2003) dois conceitos básicos para o estudo da
antropologia durante todo o seu percurso científico, o conceito de cultura e de
homem. Há ainda como algo natural à antropologia o trabalho de descrever e
classificar os grupos sociais diferenciados de alguma forma, assim a marca da antropologia clássica tornou-se a
descrição e classificação que se fazia dos povos primitivos que faziam parte do
processo civilizatório entre os séculos XIX e XX. Sendo assim havia dois
princípios centrais que constituíam o campo antropológico dessa época, a exterioridade e a alteridade, os quais eram vistos como características inferiores aos
povos já colonizados. Dentro dessa esfera de discussões mais ampla, insere-se
um domínio específico de estudos a antropologia
da educação. Já que a antropologia trata dessas classificações no que se
refere à educação ela irá propor intervenções nos sistemas educacionais no
intuito de “normatizá-los” em busca de uma função social para estes a partir de
um modelo “desejável” de escolas. No
entanto, tal padronização se dava enquanto busca não só nos parâmetros
educacionais, mas em todas as relações que envolviam o indivíduo e a sociedade,
de uma maneira compreensiva do sujeito como um ser social detentor de
particularidades. Surge então, no final dos anos 90, um movimento denominado “crise dos paradigmas” que se estende por
todo o século XX, trazendo a tona o chamado “estudos culturais”. Essa corrente
tem relação com um fato incontestável das sociedades modernas a
multiculturalidade e o modo a se pensar e atuar a partir deste fato estava nas
“mãos” do multiculturalismo, o campo que estudava essa característica social a
partir da teoria e prática. A partir de então com a revisão do conceito de
cultura ela não seria mais vista desvinculada das relações políticas e de
poder, visando por em evidência a real proposta antropológica de superação
teórica e prática.
A Ciência que praticamos : A modernidade em debate
A
cultura enquanto conceito revisado insiste na ideia de que sua definição e seu
estudo não devem ser pautados sem levar em consideração suas relações
políticas, já que a cultura se inscreve em relações humanas que têm como
essência a questão da diferença, o envolvimento do eu e do outro. Dessa
forma trata-se de relações onde há desigualdades, expressando muitas vezes
relações de poder imersas em um campo político específico que deve ser levado
em consideração. Objetivando estudar essas relações de poder está sendo desafiada
a estabelecer “pontes” entre o universal e o particular, partir daquele para
cegar neste, de um modo que sejam compreensivas os processos em seus contextos
históricos.
O caminhar entre dois séculos XIX ao XX
Durante o período entre esses dois séculos
XIX e o XX o parâmetro teórico que “norteava” a antropologia e a pedagogia era
o evolucionismo. A pedagogia interferia na educação através de determinações
práticas baseada no modelo de ensino ocidental, branco e cristão. A educação
resumia-se ao processo de ensino. Dentro da perspectiva evolucionista a cultura
só era tida como relevante a partir do ponto de vista classificatório diante
das etapas de desenvolvimento e progresso humano. No entanto, F. Boas irá questionar
o pai do evolucionismo L. Morgan contrapondo-o e afirmando que não há uma só
cultura, mas sim uma diversidades delas
e que cada costume ou hábito, para ser compreendida, deve ser relacionada com o
contexto cultural em que está inserida. Essas críticas feitas ao evolucionismo trouxeram a tona o
conceito de alteridade – “o outro
está no meu mundo e existe em relação a ele” – que explicou a condição humana
de ser pensada no interior de sua cultura. “Cultura
como realidade múltipla, plural e diversa.” Os estudos culturais terá
vínculo entre os anos 20 e 30 com a concepção funcionalista dos sistemas
sociais, o que quer dizer que cada “parte” social exerce sua função fazendo
parte de um todo social interligado por suas funções. A partir dessa concepção
a cultura passa a ser vista como um todo integrado por partes que não podem ser
apreendidas separadamente, e que tem como função suprir as necessidades
individuais a partir de instituições sociais, dentre elas a escola. Ainda
assim, as perspectivas culturalistas e funcionalistas não conseguiam abranger
as questões políticas que envolvem as relações de poder, para que essas
relações fossem, de fato, percebidas deveria haver um “encontro face a face”
com o outro. Ou seja, adentrar o mundo do outro permitia ao fazer antropológico um contato direto
com a real situação do objeto em estudo, de uma maneira que o estranhamento de
ambos – antropólogo e objeto – se tornaria a iniciativa fundamental da
investigação. Tendo por base essa relação duas outras correntes baseiam esses
estudos o estruturalismo e o marxismo. Essas
duas novas correntes possibilitaram uma reflexão mais crítica e compreensiva da
realidade social, superando a análise culturalista, não só como proposta
acadêmica, mas também como movimento político.
A Antropologia, Estudos Culturais e Educação
Durante o percurso do seu desenvolvimento
científico a antropologia “caminhou” à afirmação da diversidade humana e ao
relativismo. Já a educação centrou-se na busca por universais humanos, valores
e ideologias. No entanto, nos anos de 1950/1960 houve um movimento de ruptura
que desencadeou numa passagem das Teorias
do equilíbrio para as Teorias do
conflito. A reflexão então passa a ser pautada pela relativização e
comparação das realidades sociais, a cultura é tomada por um significado para
além das simbologias, alcançando sua estrutura de mediação num contexto
relacional. A antropologia passa então a considerar o indivíduo como sujeito
social, porém com a subjetividade construída por elementos significativos.
Dentro de esse contexto a educação passar a buscar maneiras de agregar essas
diferenças culturais atribuindo à pedagogia que métodos utilizar para alcançar
determinado fim.
Da
Antropologia e dos Estudos culturais: a questão da Educação e da Escola
A
escola que vinha ao longo de sua história buscando formar “cidadãos”,
homogeneizar sociedades, depara-se agora com o desafio de acolher as
diversidades culturais e interagir com elas de forma pacífica, relacionando a
multiculturalidade com a formação dos professores, preocupação essa que iniciou
no final do século XX. Como articular valores particulares e gerais? Como
partir de um extremo para o outro? O multiculturalismo então irá atentar para a
necessidade de aceitação e respeito das diferenças no interior de um contexto
político comum, garantindo assim, já que estamos falando de democracias, a liberdade
de expressão particular. No entanto, para que se efetive algo além da prática
reflexiva é preciso que avancemos a prática do reconhecer para o conhecer o
outro.Percebê-lo a partir de um olhar compreensivo de sua cultura enquanto
dinâmica, explicativa, permitindo que esse universo que me é estranho exista e
faça parte de uma cultura majoritária.
Durkheim e o óleo de rícino
Silva, André Luis da
Estudante do III semestre do Curso de
Letras/Espanhol
Quando era criança, lembro-me muito bem e
jamais me esquecerei, que minha mãe, por indicação de alguém, deu-me uma dose
de óleo de rícino. Primeira e única dose em toda minha vida. Foi só bater no
estômago e voltar.
O famigerado óleo de rícino foi bastante
usado (e creio que ainda seja) como laxante e tratamento contra constipação,
também como vermífugo. A aplicação mais conhecida é como antiadstringente
e acelera o esvaziamento do sistema intestinal, e pode ser causar náuseas, vômitos, cólica e outras complicações agudas.
Ora, mas o que tem isso a ver com Durkheim?
Seria o sociólogo francês como óleo de rícino? Intragável, mas necessário? Mais
ou menos isso. Não que o um dos considerado “pai da sociologia” seja
intragável. Nada disso. É preciso reconhecer que muitas das ideias de Durkheim
foram elaboradas à luz do Positivismo. É lógico que em pleno século XXI, com
toda visão que temos do passado e perspectiva do futuro, fica mais fácil
analisar e até julgar suas ideias.
A concepção funcionalista de Durkheim é um
pouco como o óleo de rícino. Vale lembrar que algum tempo atrás não havia
tantas opções de medicamentos como há hoje e se utilizava muito essa medicina
alternativa. Com o passar do tempo, é evidente, as coisas se transformam, o
mundo se transforma, as ideias mudam.
Nem tudo do pensamento durkhaiminiano é
ultrapassado ou obsoleto. Fica claro que seja qual for o método tradicional ou
inovador usado em educação, a manutenção
da ordem é importante. A anomia é o mal de toda sociedade e revela todos seus
problemas estruturais.
Graças à influência de Durkheim a
obrigatoriedade escolar para crianças de 6 a 13 anos e a proibição do ensino
religioso nas escolas públicas foram pilares educacionais importantes para a
França e copiadas em vários países. A educação básica a cargo do estado
popularizou a educação, muitas vezes inacessível à população pobre. Quanto ao
ensino laico, nada pior do que um estado fundamen- talista, xiita religioso, que
não admite o convívio com outras religiões.
Hoje com o avanço da medicina e de outras
áreas, já não faz mais sentido receitar óleo de rícino, até mesmo porque a
geração atual jamais aceitaria tomá-lo de bom grado.
Antropologia, Estudos Culturais e Educação
LIMA, Francisco Roger Oliveira de Lima
O
presente trabalho possui como objetivo traçar os diversos caminhos realizados
pela Antropologia bem como sua relação com os estudos culturais enfocando no
conceito de cultura. Partiu-se das noções de Antropologia Clássica,
considerando a ideia de Antropologia da Educação e Antropologia na Educação. A
primeira relacionada ao contexto histórico e a segunda as relações entre as duas.
Observemos as noções de multiculturalidade e multiculturalismo, em que o primeiro se relaciona a todas as possibilidades de
diversidade humana e o segundo as formas de intervenção em um contexto
multicultural.Considera-se que as relações entre antropologia, estudos
culturais e educação resultam num campo tensional que diz respeito a duas
dimensões correlacionadas: os paradigmas científicos da modernidade e da
chamada pós-modernidade e os paradigmas pedagógicos que norteiam a educação.
Levam assim a três grandes processos: a) busca pela homogeneização, b)
existência da contradição, c) a ameaça constante do conflito. A cultura é
pensada como emergente da constituição das chamadas humanidades, ainda sob a
égide do positivismo e que originou as diferentes ciências humanas, entre elas,
a antropologia como ciência do homem. A
antropologia é vista como uma construção que se inscreve na história das
relações dos homens entre si. Ainda hoje o saber científico(positivista) e a
necessidade de sua superação marcam os estudos antropológicos. A diversidade
sociocultural dos povos coloniais permitiu o aprofundamento das críticas ao
evolucionismo, denunciou seu etnocentrismo, fazendo com que a alienidade (o
outro de meu mundo como não humano) do momento anterior fosse superada pela
descoberta inicial da alteridade (o outro está no meu mundo e existe em relação
a ele).O culturalismo aliado ao funcionalismo buscará realizar um estudo mais
profundo baseado na compreensão das práticas humanas, ou seja, suas relações. O
estruturalismo e o marxismo permitirão que seja feita uma reflexão mais crítica
e compreensiva da realidade social. Principalmente com o último a ciência terá
um papel mais participativo ampliando o conceito de cultura diante de uma
sociedade de classes. As novas concepções de ciência diziam respeito a um
espaço de fronteira, discutido hoje, em termos da compreensão desse espaço como
de interação, centrado no contato e na comunicação entre sujeitos. O campo educacional
é abrangente e vive uma concepção da realidade social ordenada pelo campo
político e pelas relações de poder. Na ação educativa ou educacional estabelece
modos de como intervir sobre uma dada situação, com o intuito de dar solução ao
que é tido como “problema”. O ser social estabelece uma relação de passividade
em que interioriza sentimentos, hábitos e valores inerentes à ordem social. O
conceito de cultura e o campo que o origina, a antropologia é uma discussão que
ora avança, ora se retrai. O fato exige em apontar para a amplitude do
conceito, para a sua dimensão política e para seu alcance explicativo, para
além da questão simbólica e, portanto, numa visão da ciência antropológica
moderna e crítica. É preciso que se tenha a visão do contexto histórico e sua variabilidade no
tempo e no espaço para que se possa definir autonomia e, portanto um
conhecimento mais engajado.
Palavras
Chave:Antropologia;Cultura;Educação.
Antropologia,
Educação e Diversidade
Silva, Daiany Nogueira de
Já
diziam nossos avós: “Se até os dedos de nossa mão são todos diferentes, imagine
as pessoas”. De fato, cada individuo possui um jeito único de ser, com suas
particularidades, vivências, experiências e cultura. Gusmão, em sua obra,
mostra-nos subjetivamente que, na dinâmica das relações sociais e no “fluxo das
trocas”, o ser humano leva consigo um pouco de cada individuo com o qual se
relaciona e, da mesma forma, deixa com estes um pouco de si. Essa diversidade e
essa mistura de “vidas” ocorrem no campo social e, obviamente, também ocorrem
no campo pedagógico e escolar, de maneira a se constituir objeto epistemológico
de várias ciências humanas, entre elas, a antropologia, a sociologia e os
estudos culturais. A partir de análises bibliográficas e, seguindo o que
apontam os estudos antropológicos da educação no decorrer dos tempos,
percebe-se que, a escola sempre teve um caráter excludente e, até então,
percebia-se que as identidades culturais não eram vistas, não possuíam papel de
protagonista no processo ensino-aprendizagem ou eram até mesmo negadas. Com
esses estudos antropológicos no campo pedagógico e sua interação com as
ciências sociais, foi possível perceber que as relações multiculturais
observadas na escola de hoje são reflexos de heranças do passado. Convém
observar também que, segundo a autora, os aspectos multiculturais e sociais até
então, foram influenciados pelo pensamento positivista incutido à sociedade, de
maneira à ilegitimar a diversidade como algo bom ou bem-vindo. Doravante, o
conceito de cultura após o século XX aponta para a pluralidade, onde os debates
atuais do novo século, a “globalização informacional” e os estudos mais
aprofundados nos mostram que estamos vivendo a “Era dos direitos”, e que as
culturas até então suprimidas e renegadas tendem a procurar seu espaço no campo
tensional educativo. Uma análise mais insistente e aprofundada do texto nos
leva a refletir sobre como se dava a relação escola/individuo antes do século
XIX e porque essas relações não produzem mais os mesmos efeitos no século
XXI. O fato é que, a contextualização
desses problemas e a consequente busca por explicações nos aproximam da
realidade dos sujeitos envolvidos, e nos instigam, enquanto futuros professores
a nos colocar no lugar do outro (empatia) para melhor entendimento de seus
problemas. Nos possibilita compreender como a sociedade enxerga os indivíduos
culturalmente diferentes, colocando à prova nosso saber pedagógico e a prática docente.
Logo, com essa nova realidade educacional, cujos pressupostos se fundamentam na
diversidade, entende-se que há necessidade de se discutir os novos desafios
pedagógicos no processo ensino aprendizagem, buscando atender as demandas
multiculturais, tendo a antropologia “na” educação, o baluarte que impulsiona
esses estudos a diminuir a distância entre teoria e prática.
Palavras-chave: Antropologia,
Diversidade, Educação.
Assinar:
Comentários (Atom)