Leite, Bartolomeu de Araújo
Segundo Gusmão, passamos por um
momento de certezas e incertezas provocado pelas transformações que vem
ocorrendo no mundo pelo processo da globalização. Nesse processo há tentativa
de homogeneização de culturas. Enquanto isso em outra vertente, muitos lutam
pela preservação de suas identidades e da diversidade. Esses problemas não são
novos, o que se apresenta como novos são os questionamentos das formas constituídas
de explicações dessas questões.
Na busca de respostas para essa crise, a qual se
identifica como esquizofrênica, a Antropologia como campo do conhecimento que
tem uma longa trajetória de diálogo com o passado e com o presente pode vir a
dá uma grande contribuição para solucionar os problemas atuais. Segundo a mesma,
a tradição antropológica tem sido alvo de controvérsias por parecer não dar
conta de explicar a intensa transformação que ocorre no momento atual. E é
nesse campo de tensão que defende-se que
a trajetória da antropologia tem sido de avaliar as diferenças sociais, étnicas,
dentre outras com a finalidade de intervir na realidade social a não negar as
diferenças. Ora ela não seria suficiente para dar conta das
diferenças e portanto estaria superada em seus propósitos, isso se dá em
decorrência do questionamento das ciências humanas de modo geral e a
antropologia em particular se dá no contexto
emergencial dos estudos culturais, cuja definição se dá no interior das
correntes ditas pós-modernas.
Neste contexto de discussão, a análise
das relações entre Antropologia, Educação e Estudos culturais emerge como um
desafio teórico da modernidade e como uma necessidade diante de princípios e
práticas entre campos científicos e processos educativos na sociedade moderna, sendo
que o que está em jogo é a busca do
diálogo interdisciplinar e
transdisciplinar que recupera o pensamento crítico para compreender o domínio
de propriedades da vida social e fazer um resgate da noção de cultura numa
perspectiva crítica engajada e que a entenda como uma questão política.
A autora coloca que não podemos perder
a dimensão política da Antropologia, pois nasceu no contexto da formação dos Estados
Nacionais e, portanto inserida no contexto político. Ainda evoca que temos de
fugir de certa crítica à Antropologia de cunho moralizante e política do
passado dessa disciplina, para não continuarmos repetindo fórmulas antigas e
ver a sua trajetória através do viés
sociológico, com abertura para novos modelos de interpretação do momento atual em
que uma das marcas vistas pela
Antropologia, ou vista como toda a Antropologia, era o seu caráter descritivo e
classificatório no estudo dos povos, como objetos de colonização entre os
séculos XIX e XX.
Surgiu o que hoje se chama de
antropologia clássica. Era uma ciência que tinha como princípios centrais a
ideia de exterioridade e alteridade, esta tinha como pressuposto a alienidade.
Assim a antropologia e os antropólogos estavam inseridos num mundo marcadamente
como civilizado, científico e técnico a qual essa tríade era elementos centrais
que demarcavam a condição humana e a própria humanidade.
A Antropologia pregava como ciência no
dizer dela a proteção, preservação, transformação e repressão como objeto de políticas
dirigidas ao mundo do outro, em que a relação entre teoria e prática tenha sentido
de elaboração e inserção da antropologia na concretização das políticas
coloniais a qual ela denomina de ciência da prática ou ciência de serviço. E
essa relação entre ciência e prática tem havido muitas discussões no mundo
científico e social, essa prática científica tem sido objeto de considerações
morais e políticas como toda ciência praticada naquele período no que se chama
de antropologia “da” educação.
Segundo a autora no Século XVIII ao
início do Século XX, a Antropologia e Pedagogia trilharam caminhos paralelos
com relação a Educação e tiveram como
alinhamento teórico à ciência evolucionista do pensamento moderno, tinham como
padrão modelar o diferente ao padrão de sociedade ocidental, ou seja branco e cristão,
era o que os colonizadores denominavam de fazer evoluir e civilizar os chamados
outros.
Nessa perspectiva a cultura do outro
não era levada em conta e portanto não existia espaço para o diálogo com a
alteridade e consequentemente para a diversidade cultural. Este estado de coisa
mudou com o surgimento do culturalismo, que denunciou o pensamento
evolucionista como etnocêntrico e como consequência a antropologia e a pedagogia
praticada na época.
Outra corrente que vai fazer
parceria com o culturalismo, é o funcionalismo de origem inglesa que
compreendia a sociedade como função ou sistema, ou seja, na sociedade seus
elementos estão interligados e formam um todo. Segundo essa corrente, as
necessidades de um grupo ou de uma sociedade, bem como as necessidades de
respostas, decorrem de cada cultura.
Sendo assim temos que pensar a
cultura não como um campo neutro, mas como um local de tensões em que a relação
entre eu e o outro estão presentes. A cultura de um grupo não é independente de
outro grupo com que ele se defronta. O contato entre grupos gera um campo de
tensão às vezes de violência e de conflito, o que expressa relação de poder
inserida no campo político que merece ser considerado.
No dizer da autora fala-se no fim da
História, crise de paradigmas, pós-modernidade, mas qual seria o papel da
Antropologia na atualidade? Negar o seu passado e aderir o discurso da
pós-modernidade? A autora diz que é dentro do paradigma da modernidade que está
a solução, mas numa visão crítica que a Antropologia contribuirá para o avanço
com relação à Educação e sua prática, a Pedagogia.
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