domingo, 24 de fevereiro de 2013

Durkheim e o óleo de rícino




                                                                                                                              Silva, André Luis da
                                                                  Estudante do III semestre do Curso de Letras/Espanhol
Quando era criança, lembro-me muito bem e jamais me esquecerei, que minha mãe, por indicação de alguém, deu-me uma dose de óleo de rícino. Primeira e única dose em toda minha vida. Foi só bater no estômago e voltar.
O famigerado óleo de rícino foi bastante usado (e creio que ainda seja) como laxante e tratamento contra constipação, também como vermífugo. A aplicação mais conhecida é como antiadstringente e acelera o esvaziamento do sistema intestinal, e pode ser causar  náuseas, vômitos, cólica e  outras complicações agudas.
Ora, mas o que tem isso a ver com Durkheim? Seria o sociólogo francês como óleo de rícino? Intragável, mas necessário? Mais ou menos isso. Não que o um dos considerado “pai da sociologia” seja intragável. Nada disso. É preciso reconhecer que muitas das ideias de Durkheim foram elaboradas à luz do Positivismo. É lógico que em pleno século XXI, com toda visão que temos do passado e perspectiva do futuro, fica mais fácil analisar e até julgar suas ideias.
A concepção funcionalista de Durkheim é um pouco como o óleo de rícino. Vale lembrar que algum tempo atrás não havia tantas opções de medicamentos como há hoje e se utilizava muito essa medicina alternativa. Com o passar do tempo, é evidente, as coisas se transformam, o mundo se transforma, as ideias mudam.
Nem tudo do pensamento durkhaiminiano é ultrapassado ou obsoleto. Fica claro que seja qual for o método tradicional ou inovador usado em educação,  a manutenção da ordem é importante. A anomia é o mal de toda sociedade e revela todos seus problemas estruturais.
Graças à influência de Durkheim a obrigatoriedade escolar para crianças de 6 a 13 anos e a proibição do ensino religioso nas escolas públicas foram pilares educacionais importantes para a França e copiadas em vários países. A educação básica a cargo do estado popularizou a educação, muitas vezes inacessível à população pobre. Quanto ao ensino laico, nada pior do que um estado fundamen- talista, xiita religioso, que não admite o convívio com outras religiões.
Hoje com o avanço da medicina e de outras áreas, já não faz mais sentido receitar óleo de rícino, até mesmo porque a geração atual jamais aceitaria tomá-lo de bom grado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário