Silva, André Luis da
Estudante do III semestre do Curso de
Letras/Espanhol
Quando era criança, lembro-me muito bem e
jamais me esquecerei, que minha mãe, por indicação de alguém, deu-me uma dose
de óleo de rícino. Primeira e única dose em toda minha vida. Foi só bater no
estômago e voltar.
O famigerado óleo de rícino foi bastante
usado (e creio que ainda seja) como laxante e tratamento contra constipação,
também como vermífugo. A aplicação mais conhecida é como antiadstringente
e acelera o esvaziamento do sistema intestinal, e pode ser causar náuseas, vômitos, cólica e outras complicações agudas.
Ora, mas o que tem isso a ver com Durkheim?
Seria o sociólogo francês como óleo de rícino? Intragável, mas necessário? Mais
ou menos isso. Não que o um dos considerado “pai da sociologia” seja
intragável. Nada disso. É preciso reconhecer que muitas das ideias de Durkheim
foram elaboradas à luz do Positivismo. É lógico que em pleno século XXI, com
toda visão que temos do passado e perspectiva do futuro, fica mais fácil
analisar e até julgar suas ideias.
A concepção funcionalista de Durkheim é um
pouco como o óleo de rícino. Vale lembrar que algum tempo atrás não havia
tantas opções de medicamentos como há hoje e se utilizava muito essa medicina
alternativa. Com o passar do tempo, é evidente, as coisas se transformam, o
mundo se transforma, as ideias mudam.
Nem tudo do pensamento durkhaiminiano é
ultrapassado ou obsoleto. Fica claro que seja qual for o método tradicional ou
inovador usado em educação, a manutenção
da ordem é importante. A anomia é o mal de toda sociedade e revela todos seus
problemas estruturais.
Graças à influência de Durkheim a
obrigatoriedade escolar para crianças de 6 a 13 anos e a proibição do ensino
religioso nas escolas públicas foram pilares educacionais importantes para a
França e copiadas em vários países. A educação básica a cargo do estado
popularizou a educação, muitas vezes inacessível à população pobre. Quanto ao
ensino laico, nada pior do que um estado fundamen- talista, xiita religioso, que
não admite o convívio com outras religiões.
Hoje com o avanço da medicina e de outras
áreas, já não faz mais sentido receitar óleo de rícino, até mesmo porque a
geração atual jamais aceitaria tomá-lo de bom grado.
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